Lululemon faz acordo com fundador hoje e põe fim à guerra interna
A Lululemon Athletica, marca conhecida globalmente por popularizar o segmento premium de roupas de yoga e athleisure, chegou a um acordo com seu fundador, Chip Wilson, para encerrar uma disputa que vinha pressionando a companhia há meses. A empresa, embora não tenha operação própria no Brasil, se tornou uma das mais influentes do mercado global de roupas esportivas, competindo com gigantes como Nike e Adidas no segmento de vestuário premium voltado para yoga, corrida e treino. A companhia tem mais de 800 lojas no mundo e faturou US$ 11,1 bilhões em 2025. O acordo foi anunciado após meses de tensão entre a empresa e seu fundador, que vinha criticando publicamente a direção da companhia, afirmando que ela havia “perdido sua alma” e priorizava metas de curto prazo em detrimento da inovação de produtos.
A disputa entre a Lululemon e seu fundador começou a se intensificar no ano passado, quando Wilson iniciou uma crítica aberta à empresa, afirmando que ela havia se afastado de seus valores originais. A empresa, por sua vez, respondeu afirmando que Wilson tinha “visões ultrapassadas” e que suas posições poderiam prejudicar a companhia. As negociações entre as partes chegaram a fracassar na semana passada, aumentando o risco de uma batalha aberta na assembleia de acionistas marcada para junho. No entanto, o acordo anunciado nesta quarta-feira permite que a empresa aceite dois nomes indicados por Wilson para o conselho de administração: Laura Gentile, ex-executiva da ESPN, e Marc Maurer, ex-copresidente-executivo da fabricante suíça de tênis On Holding. Um terceiro diretor, especializado em produto e marcas de vestuário, será anunciado até outubro.
Em troca, Wilson concordou em interromper críticas públicas à empresa pelos próximos 18 meses. O acordo vem em um momento delicado para a varejista canadense, que enfrenta desaceleração nas vendas nos Estados Unidos, perda de espaço para concorrentes como Alo Yoga e Vuori, além de críticas relacionadas à qualidade de alguns produtos. A empresa também prepara uma troca de comando, com a ex-executiva da Nike Heidi O’Neill assumindo como CEO em setembro, com a missão de recuperar o crescimento e reforçar a relevância da marca em um mercado cada vez mais competitivo. As ações da Lululemon chegaram a subir cerca de 4% após o anúncio do acordo, embora ainda acumulem queda próxima de 40% no ano. O acordo pode ser visto como um passo positivo para a empresa, que busca superar a disputa com seu fundador e se concentrar em seu crescimento e desenvolvimento.
A trégua entre a Lululemon e seu fundador pode ser vista como um sinal de que a empresa está disposta a ouvir as críticas e preocupações de seus stakeholders, incluindo seu fundador. A indicação de dois novos diretores para o conselho de administração pode trazer novas perspectivas e ideias para a empresa, ajudando-a a navegar em um mercado cada vez mais competitivo. Além disso, a nomeação de uma nova CEO pode ser um fator importante para a recuperação do crescimento da empresa, tornando a Lululemon mais competitiva e relevante no mercado de roupas esportivas. Com o acordo, a empresa pode se concentrar em suas operações e estratégias, em vez de se preocupar com a disputa pública com seu fundador.
